Você conhece a Dra. Tati Vargas?

Você conhece a Dra. Tati Vargas?

Olá, seja muito bem vinda(o)!!!!

Que alegria a oportunidade de encontrar com você também por este nosso novo meio de comunicação. Este espaço foi idealizado com o objetivo de termos mais um local para compartilharmos nossas histórias, nossos novos projetos, muito conteúdo legal e atualizado sobre parto, amamentação, alimentação infantil, parentalidade positiva, autocuidado, feminismo, empoderamento e muito mais. Por isso, sinta-se em casa, navegue, comente, sugira novos assuntos para abordarmos por aqui. Vamos aproveitar pra contar um pouquinho também da minha jornada como profissional, mulher, mãe de 3 filhos, empreendedora, professora, sonhadora. Vamos mostrar nossos “bastidores”, quem faz parte desta grande família que se tornou o Instituto Mame Bem. Sem essa equipe com certeza nada disto seria possível.

E pra quem ainda não conhece como tudo começou vou contar brevemente um pouquinho da minha história. Sempre fui apaixonada por crianças, pela ciência e pela docência. Me formei Fonoaudióloga na Universidade Federal de Minas Gerais e logo após a formatura me casei, com meu primeiro, único namorado e atual marido. Logo ingressei no mestrado e doutorado em uma área que me abrilhantou os olhos, a Engenharia Mecânica. Isso mesmo, tem gente que vai pensar, essa menina é doida. Mas, a interdisciplinariedade me encanta. Como aprendemos mais quando estamos abertos a escutar o outro. Nos tornamos melhores profissionais e melhores pessoas. Sempre digo que conhecimento é a única coisa que ninguém nos tira, e que nenhuma profissão ocupa lugar que não seja seu, mas, juntas sempre somos mais. Nestes anos de mestrado e doutorado aproveitei pra cursar concomitantemente outras três pós graduações lato senso. Fiz especialização em Motricidade Orofacial, em Linguagem e em Gestão em Saúde Pública. Ou seja, dá pra ver que sou um pouco ativa e preciso fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Ao final do doutorado decidi que seria o momento de viver o sonho da maternidade. Nesta época já trabalhava com bebês, com crianças, com amamentação. Mas, tudo muuuuito diferente do que faço hoje.

Com um perfil de uma mulher cientista, controladora e extremamente ativa a demora em engravidar não agradou muito. Foram mais de 15 meses tentando, vários exames, nenhuma alteração, até que falei pra mim mesma que também não queria isto mais. Foi só tomar essa decisão que no mês seguinte estava grávida. Descobri a gravidez 15 dias após minha defesa do doutorado. Na ocasião, trabalhava no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais como profissional autônoma, cumprindo de 40 a 60 horas semanais de jornada. “Me preparei” bastante durante a gravidez, fazendo tudo o que eu acreditava naquela época que seria o importante para ter meu filho de parto normal, de forma saudável. Fazia exercícios físicos, estava com uma profissional médica que parecia ser a favor do parto normal. Como eu disse, eu já trabalhava com amamentação, mas, não sabia nada sobre parte e todo o universo que cerca a maternidade. Minha data provável do parto – sábado de carnaval. Trabalhei e terminei minha última aula da terceira especialização com 39 semanas de idade gestacional. Fui no que seria a ultima consulta do pre natal na quinta feira véspera do carnaval, quando estava com 39 semanas e 5 dias. Neste dia a médica fez um toque para avaliar, como fazia em todas as consultas, e me comunicou que iria doer um pouco mais, pois ela “ajudaria” meu filho a chegar. Foi realizado um descolamento de membrana, que eu nem sabia do que se tratava, só sei que doeu e sangrou bastante. Fui embora pra casa e em 24 horas entrei em trabalho de parto. Era sexta feira a tarde quando as contrações começaram. Ansiosa pela chegada do meu primeiro filho, tudo novo, quase não dormi nesta noite. Quando amanheceu o dia no sábado as contrações estavam mais intensas e achei que este seria o momento de ir para a maternidade. Chegando lá fui avisada que não poderia entrar ninguém comigo, que iriam me admitir, preparar e depois autorizariam a entrada do meu marido. Foram horas sem fim. Na admissão avaliaram e disseram que eu estava no inicio do trabalho de parto, 3cm de dilatação. Eu sinceramente, achei que o bebê já estava nascendo. Me colocaram um “sorinho” e ali fiquei sozinha e desamparada. Depois de 2 horas algumas profissionais vieram fazer um procedimento solicitado pela minha médica – uma lavagem intestinal. Também não sabia que era uma prática necessária às gestantes. Recordo que me senti muito humilhada, com dor e desamparada. Naquela altura toda fantasia de uma chegada linda do meu bebê já não existia e eu queria que tudo terminasse logo. Mais uma hora e minha medica chegou. Me avaliou e disse que eu estava de 6 para 7 centímetros de dilatação e que ela chamaria o anestesista. Claro que eu queria muito aquela anestesia. Só após me darem a anestesia e me deitarem em uma pequena maca meu marido pôde entrar. A cara dele era de susto ao ver meu semblante de tristeza. Com apenas 20 minutos pós anestesia, eu deitada, a médica retorna e ausculta o bebê. Não esquecemos a frase dela: “o bebê está em sofrimento, vocês quem sabem”. Nossa resposta é claro foi que não queríamos correr nenhum risco. E assim, nosso bebê foi salvo pela equipe que prontamente fez uma cesariana. Recebi alta com 48 horas, mas, só voltei a ver minha médica 5 dias depois, pois ela viajou ainda naquela manhã de sábado, após conduzir a cirurgia.

Meus primeiros dias pós parto descrevem tudo que eu luto hoje para que outras mulheres não precisem passar. Foram dias intensos e tenebrosos, com mamas lotadas e machucadas, um bebê que não parava de chorar, uma super infecção na cirurgia da cesárea (que foi necessário drenar), um blues puerperal intenso, muito choro, muito palpite e tudo que idealizei fracassado. Como assim, alguém que achava que ia ser tudo tão fácil, que não precisaria de ninguém pra ajudar, se vê rendida, impotente e frustrada.

E foi assim que tudo começou….

Mas, a resiliência veio me trazer força para ressignificar toda essa história e criar um movimento lindo para que muita coisa pudesse mudar: na história da minha maternagem e também na maternagem de outras mulheres.

Vamos juntas mudar o mundo, que seja um mundo de cada vez!

Vamos continuar conversando sobre a minha história no próximo post!

Abraço a todas!

Dra Tati Vargas

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