Instituto Mame Bem

ㅤe-bookㅤ

Psicologia do ciclo gravídico-puerperal

um olhar integral para a mulher

Introdução

Independente das áreas primárias de atuação é importante que os profissionais que atuam na assistência à gestação, parto, amamentação e nos primeiros mil dias da vida de um bebê compreendam os momentos únicos e os processos pelos quais passam as mulheres e suas famílias. Atuamos sempre buscando um olhar empático e científico sobre as peculiaridades do período, com o objetivo de garantir o bem estar físico e mental das famílias assistidas, permitindo a identificação das reais necessidades destes indivíduos, e a identificação dos encaminhamentos necessários para a saúde e prevenção de doenças.

Além do conhecimento técnico, é importante também ter habilidades para a escuta ativa, educação e aconselhamento desses sujeitos, visando oferecer um apoio adequado às necessidades maternas, baseado na integralidade do cuidado e no respeito ao seu protagonismo. Para entender melhor essas necessidades, a psicologia do ciclo gravídico-puerperal surge com força no Brasil no final da década de 70. Responsável por um grande impacto na saúde mental perinatal brasileira, o estudo da área é de importância multiprofissional, por promover saúde e a possibilidade de uma abordagem integral e educativa desse período tão específico, que promova a saúde e a qualidade de vida.

Faz parte das funções dos profissionais da assistência orientar e acolher as dificuldades que surgem no ciclo gravídico puerperal da família, em seus novos papéis e possibilidades. A condução deste momento de vida passa pela construção da parentalidade e da autoconfiança dos pais para a incorporação destas novas práticas no cotidiano das famílias, do vínculo seguro e de tantas outras necessidades.

Para quem é este e-book

O Instituto Mame Bem desenvolveu este e-book para oferecer mais informações sobre as possibilidades de atuação aos profissionais da perinatalidade, e para ampliar o seu conhecimento sobre este período tão delicado na vida das pessoas. Esperamos que possa aproveitar as informações preciosas que reunimos para você, e que também possa mudar o mundo de muitas famílias com o nosso apoio.

O que é ciclo gravídico-puerperal?

O ciclo gravídico-puerperal é um processo fisiológico que envolve as mudanças biopsicossociais da vida de uma pessoa. É atravessado por diversos fatores e influenciado por inúmeras condições socioeconômicas e culturais das pessoas da família. Para uma boa assistência em saúde materno-infantil, é importante que os profissionais da assistência conheçam os fatores de risco em saúde mental e possam esclarecer dúvidas, desmistificar crenças, e apoiar o sujeito respeitando sua individualidade, sua cultura e seus valores - para que ele possa construir uma história satisfatória de parentalidade.

A maternidade idealizada

"Eu era uma ótima mãe antes de ser mãe"

Preparadas desde a infância para cumprirem com o papel de mães, as mulheres carregam décadas de cobranças pessoais e sociais no momento em que finalmente se vêem grávidas, ou com os seus bebês nas mãos. A maternidade é um momento de intensa transformação.

Dado o cenário de intensa transformação de sentidos e significados, profissionais da assistência devem estar atentos ao desenvolvimento dos transtornos mentais perinatais, que tem se tornado um importante problema de saúde pública. A depressão perinatal, por exemplo, tem incidência maior que diabetes gestacional, e apesar disso, poucas vezes é identificada e tratada. Uma história prévia de depressão aumenta significativamente as chances da depressão pós- parto – segunda causa de morte materna no mundo. Suas consequências acompanham a vida adulta e podem ser graves, devendo ser uma importante preocupação dos profissionais de saúde.

É urgente a necessidade de compreender a saúde mental que atravessa o ciclo gravídico puerperal, para que possamos preservar a vida das pessoas envolvidas.

Você sabia?

70% dos suicídios acontece no primeiro ano após o parto

Em mulheres predispostas a doença mental, gravidez, parto e lactação podem ter repercussões desastrosas.

Louis Victor Marcé

O início da maternidade

O processo de gestação traz diversas alterações no corpo, para além dos órgãos do sistema reprodutivo: sua estrutura neuronal é alterada, e todo o seu sistema hormonal passa por adaptações para comportar o feto em desenvolvimento. Além dos processos fisiológicos e neuroquímicos, a pessoa gestante passa por diversas alterações subjetivas e emocionais. Existem diversas evidências que comprovam que o apoio, a escuta ativa e empática por parte dos profissionais favorecem uma experiência positiva da gestação, parto e pós-parto.

A psicologia na assistência materno-infantil vem passando por mudanças, assim como também tem mudado o papel social da mulher e das crianças no cenário social. Para os profissionais de saúde é essencial desenvolverem as habilidades para o acompanhamento desta demanda de saúde: a saúde mental.

O parto

O parto é fisiológico, mas envolve uma série de aspectos psicológicos que podem facilitar o seu andamento. Continuando esse processo de parir, a amamentação também pode ser impactada questões subjetivas de quem amamenta, uma vez que junto com a chegada do bebê chega também a necessidade de ressignificar muitos aspectos da vida preexistente. Complicações clínicas na gestação ou parto também estão associadas ao aumento do risco de desenvolvimento de transtornos mentais perinatais, por isso a importância de acompanhar a saúde mental desde as tentativas em engravidar seguindo até o nascimento. 

Mesmo em mulheres sem história prévia de doença mental, os fatores de risco pré-existentes ou que aparecem durante a gestação estão associados a um aumento significativo de adoecimento no pós parto. Será que podemos ignorar esses fatos?

Você sabia?

E os bebês?

Se até bem pouco tempo atrás era impensável entender as necessidades e vontades das crianças, hoje o desenvolvimento emocional infantil é uma área importante para a saúde mental do indivíduo.

O parto real x o parto idealizado

Cada parto é único, e não existe controle sobre a experiência do parir, que pode vir carregada de expectativas e idealizações. O aumento do movimento de humanização do parto e do nascimento, as fotos e vídeos editados, podem afastar a gestante da realidade de sua equipe de assistência e gerar frustrações com procedimentos essenciais para a saúde dela ou do bebê.

A vinda do bebê

O desejo de ser mãe é, além de tudo, uma expectativa social sobre as mulheres, inclusive sobre as que não têm condição física, material ou emocional. Quem, então, pode opinar sobre a escolha de ser mãe?

O desejo da maternidade é culturalmente transmitido para as mulheres desde a infância, nas brincadeiras de boneca, quando são “preparadas” e “orientadas” na função do maternar. Neste contexto, para que a maternidade se concretize é importante se colocar diante do conflito o desejo de ter um filho e o desejo de ser mãe. É comum que este questionamento seja feito durante a própria gestação do bebê, o que torna essa trama ainda mais complexa – principalmente considerando que 62% das gestações acontecem de forma não planejada.
Quem então poderia responder pela gestação de uma criança, se não a própria pessoa que está gestando?

Todas essas questões trazem intensidade ao período perinatal que por sua vez é o período no qual há maior incidência de adoecimento psíquico. Essa é a importância de compreender e acompanhar pessoas que estão atravessando esse momento. Uma escuta especializada e apurada pode proporcionar encaminhamentos que transformam vidas!

Nem toda mãe...

O direito à maternidade é universal. Apesar disso, existe um preconceito sobre determinados grupos sociais no que diz respeito à condição deles em exercer a maternagem. Ao mesmo tempo que existem muitas pessoas que não desejam a maternidade, existem outras tantas que a desejam mesmo sem uma estrutura social que as favoreçam e as protejam.

Ciente dessa realidade, é importante conhecer os aspectos institucionais dos hospitais e das maternidades que recebem esses grupos, para que as pessoas tenham a oportunidade de vivenciar os primeiros contatos com o bebê, que muitas vezes é retirado delas, involuntariamente.

As instituições de cuidado materno-infantil se deparam, portanto, com a necessidade de assistir uma população com extenso histórico de vulnerabilidade social, muitas vezes sem ter em seu corpo clínico, profissionais habilitados para atender tantas particularidades. Essa dissonância tem como consequência, uma forma de condução que leve à destituição do poder familiar – partindo da premissa inicial de que trata-se de grupos “incapazes”.

Diante disso é importante compreender e construir políticas públicas de atenção à saúde física e mental específicas para essas pessoas para que essa dinâmica tenha possibilidades de mudar de forma a garantir o direito de convivência da família.

Apoiar esses grupos torna-se portanto essencial para garantir os direitos constitucionais dessas pessoas e a melhorar a qualidade de vida dessa população.

Paralelo a esses grupos citados, é necessário e urgente refletir também sobre uma condição que atravessa todas as pessoas que eventualmente gestam: o luto perinatal.

A pessoa que perde o bebê vive diversas situações incompatíveis com as suas necessidades daquele momento: por exemplo, seu corpo continua produzindo leite, ela fica internada no mesmo local onde outras pessoas estão alojadas com seus bebês vivos. Principalmente ela vive uma incompreensão dos seus sentimentos e emoções, uma vez que somente ela tem condições de dizer sobre o que aquela perda significa. Ninguém espera perder um bebê, mas fatalmente acontece. Ter um profissional acolhedor e empático por perto nesse momento pode ser transformador na experiência.

**presidiárias, indígenas, quilombolas, ciganas, enlutadas, com questões psiquiátricas, de saúde mental, abuso de álcool/drogas, moradoras de rua, adolescentes, solo, negras, pertencentes à comunidade LGBTQIA+.

Esperamos que tenha gostado deste e-book, que traz algumas questões introdutórias para a saúde no ciclo gravídico-puerperal. Sabemos que as questões que envolvem o sujeito são múltiplas, e contemplamos alguns conteúdos importantes neste momento. Existem ainda algumas questões que gostaríamos de tratar, e te convidamos para nos acompanhar neste processo.

Nós temos a formação perfeita para você!

Atualmente oferecemos o curso anualmente: Psicologia da Perinatalidade. A nossa primeira versão foi destinada apenas para Psicólogas, mas quanto mais avançávamos no curso, mais percebemos a necessidade de disponibilizar a oportunidade para os demais profissionais da assistência. Os depoimentos que recebemos das alunas Psicólogas que participaram do curso foram essenciais para essa decisão. Esperamos que você possa potencializar o impacto da psicologia da perinatalidade, e que ao qualificar sua assistência com este conteúdo, possa mudar a vida de muitas famílias!

O curso de 
Aperfeiçoamento em Psicologia no Ciclo Gravídico Puerperal com foco em aleitamento humano, tem como objetivo proporcionar reflexões em torno da prática da Consultoria, considerando a particularidade de cada sujeito e de cada dinâmica familiar, qualificando a escuta da Consultora Psicóloga. 

Possui a carga horária de  120h/aula, inteiramente online, com uma equipe de especialistas altamente qualificados e voltado exclusivamente para profissionais da saúde de nível superior.

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